E a cada dia ampliava-se na boca aquele gosto de morangos mofando, verde doentio guardado no fundo escuro de alguma gaveta.

sábado, 13 de abril de 2013


- Enquanto lutava, via as pessoas falando em nome da liberdade, e quanto mais defendiam este direito único, mais escravas se mostravam dos desejos de seus pais, de um casamento onde prometiam ficar um com o outro "pelo resto da vida", da balança, dos regimes, dos projetos interrompidos no meio, dos amores aos quais não se podia dizer "não" ou"basta", dos finais de semana onde eram obrigados a comer com quem não desejavam.Escravos do luxo, da aparência do luxo, da aparência da aparência do luxo. Escravos de uma vida que não tinham escolhido, mas que haviam decidido viver - porque alguém terminou convencendo-os de que aquilo era melhor para eles. E assim seguiam seus dias e noites iguais, onde a aventura era uma palavra em um livro ou uma imagem na televisão sempre ligada.


O Zahir.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012



(...) Moral da história - preste atenção. Mesmo onde você enxerga um vazio, pode ter gente dentro.

MM.

terça-feira, 2 de outubro de 2012



E o frio tinha voltado, trazendo consigo todas as lembranças. 

     E olhar para o passado é lembrar de purpurina, quem diria. E de todas aquelas tardes em seu quarto, todas as manhãs em que acordava cedinho só para aproveitar ainda mais aquele dia de chuva. Inspiração a flor da pele, é isso o que o inverno trazia. Ela descobriu isso muito tempo depois, quando, com as tempestades, a felicidade quase explodia em seu peito, e as idéias se tornavam tão palpáveis quanto os livros empoeirados que a faziam companhia. 
    E tudo se criava, e limites não existiam, pois em sua mente havia sempre aquele brilho, tipo purpurina.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012



(...) Sei também que, durante a noite, outra parte de mim ficará vagando no espaço, em contato com coisas que são tão reais como o maço de cigarros e o copo de gim que tenho na minha frente. 
Minha alma dançará (...), acordarei suando, irei até a cozinha beber um copo de água, entenderei que para combater fantasmas é preciso usar coisas que não fazem parte da realidade.

A Bruxa de Portobello, Paulo Coelho.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012



E se o vento não soprar, tudo bem. E se a chuva decidir ficar lá, não tem problema.
Nada nos fará ir embora. Não há poder que detenha esse momento. Porque, afinal, é isso. Hoje, agora. É é isso, e é só, e basta.
Não queremos nos preocupar com o que não existe. Não há nada além do que estamos sentindo. É isso, é só, e basta.
Os nosso olhos estão fechados, e se quando os abrirmos, as coisas não acontecerem como a gente esperou,   vamos rir e beber o último gole.
É é isso, e é só, e basta.

quinta-feira, 5 de julho de 2012


No meio dos meus planos de superação, minhas falas ensaiadas e minhas tantas loucuras, apareceu você. Sentei pra descansar de mim e, quando olhei, você já tava do meu lado. Não quis mais levantar. Eu pensei em agendar uma hora pra ser imprevisível, mas você tava me desconcentrando, me desconcertando. Eu morria de vergonha e me sentia a vontade. Eu tinha medo e me sentia segura. Eu tava do avesso e com uma vontade estranha de ficar. E toda a minha falta de jeito é porque, ainda que eu queira, não sei fazer isso. Então facilita pra mim. Se eu ameaçar ir embora, me abraça. Se te der vontade de levantar, deita em mim. Não surta, não planeja, não bloqueia, não recua. A louca sou eu e tô aqui, quietinha. Não estraga.

Marcella Fernanda


quinta-feira, 3 de maio de 2012

Covardemente nós nos escoramos nos amados ombros que nos arrastam pelas ruas e são por nós arrastados, pobres fantoches xifópagos movidos pelos cadarços invisíveis do sonho que vêem entre os passos trôpegos sua sombra confundida e breve que se estica eternamente para a frente. Para a frente de um poste.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

O vento frio corta meu rosto. Aqui sentada, observo as pessoas, como uma espectadora solitária.
Algumas viram o olhar em minha direção, mas muitas passam sem nem me notar, pré-ocupadas com seus afazeres, seus problemas, suas vidas.
Vidas que passam sem nem ao menos perceberem. Como uma vida pode se tornar tão insignificante? Como muitas pessoas já nascem póstumas?
Sinto em cada parte de mim que 100 anos são muito, muito pouco para tudo o que eu quero, para todos os meus planos.
Força maior, não há alguma possibilidade de vivermos um milhão de vidas?

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012


Foi a primeira vez que me senti nessa solidão. Gostaria que alguém curasse minha dor.
Engraçado pensar que tudo estava funcionando, até você decidir se afastar. Você é tão mau!
Achava que você era legal, até o ponto em que você não me ligou mais.
Quando você disse o que faria, eu finalmente compreendi que vocês todos são iguais. Sempre vêm com a mesma história.
Sempre que tentava lhe fazer sorrir, você se desculpava a si mesmo. Sempre que tentava lhe fazer gargalhar, você não podia, pois é “durão”.
Não conseguia me encontrar, estava sozinha e sentia medo.
Temi a escuridão sem ter ninguém pra reclamar.
Hoje, consigo falar sem emoção sobre isso tudo.

domingo, 22 de janeiro de 2012


    


Ela tinha um Facebook com mais de 800 amigos, milhares de scraps no orkut, dezenas de fãs. Tinha um fotolog supervisitado e um pixlog ainda mais. 

Seu blog? Um sucesso, com a caixa de comentários sempre lotada. Tinha uma lista cheia de contatos no MSN e no Google Talk, sempre com alguém querendo conversar.
Ela tinha também uma casa vazia. Tinha um quarto abandonado. Tinha um telefone que nunca tocava. Tinha olhos que só conheciam a luz azulada do monitor. Tinha uma enorme solidão.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011





Perdi o gosto bom das coisas, ela disse no começo da manhã. Fiquei pouco atônita, pouco pensativa, como assim? Perdi, ela disse. No final do dia, depois de horas de trabalho, alguma desilusão, dor nas costas por passar mais de oito horas sentada, o corpo doido por uma água morna, os pés implorando uma pantufa cheia de aconchego, a barriga pedindo por favor uma comida boa e honesta, o coração pulando em busca de um porto, eu entendo. Entendo o gosto dilacerado ou perdido ao longo do dia. Mas uma manhã como essa, pura e nova e fresca e tão azul, de um azul bonito e quente, um azul vivo e limpo, não sei.

Clarissa Corrêa

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011





(...) sem tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em lugares onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte... Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos". Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.”


Rubem Alves

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Existem coisas que a gente nunca esquece. A lembrança mais forte que tenho é a dos dias chuvosos. Ao acordar de manhã, ficava maravilhada se o tempo estava fechado, o clima frio e o céu escuro. Sempre me senti muito bem com a chuva. Ela inspira, protege e fortifica.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011



Sou o dono dos tesouros perdidos no fundo do mar.
Só o que está perdido é nosso para sempre.
Nós só amamos os amigos mortos
E só as amadas mortas amam eternamente...

Mário Quintana


domingo, 4 de setembro de 2011

... as coisas têm que passar, os dias têm que mudar, os ares têm de ser novos e a vida continua, com ou sem qualquer um. 

Caio F. Abreu
Chove lá fora. Neva aqui dentro. Sinto um frio imenso, que faz tremer cada parte do meu corpo.
Peço aos céus uma vida passada de volta, porque essa aqui já não vale mais a pena.
Sempre odiei lamentações e o choro daqueles que não tem motivos para chorar. Desnecessário. Mas agora me vejo aqui. Me lamentando. Chorando por motivos inúteis. Mas que doem.
Cada dia acordava com esperança, tentava ver as coisas sempre pelo lado bom e acreditava que tudo ainda iria dar certo. Pensavam que eu não estava nem aí... que eu não me preocupava...
Muito pelo contrário - só lutava para não sofrer desnecessariamente..
Eu que não fumo queria um cigarro. 
Eu que não amo vc envelheci dez anos ou mais nesse último mês.

Engenheiros do Hawaii - Eu que não amo você.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

E cada vez que segurei uma rosa, pareceu que eu apenas sentia os espinhos.

Porque eu ando numa vibe Renato Russo últimos tempos...


Vocês esperam uma intervenção divina mas não sabem que o tempo agora está contra vocês..

E de repente o vinho virou água, e a ferida não cicatrizou.
E o limpo se sujou e no terceiro dia ninguém ressuscitou.





sexta-feira, 29 de julho de 2011


Tenho, nas minhas mãos, dois caminhos, duas decisões. 
Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir, entre rir ou chorar, ir ou ficar, entre desistir ou lutar. Se o mar está revolto, posso ficar na praia ou sair para pescar e, talvez, nunca mais voltar. 
Tenho, nas minhas mãos, o bem e o mal, e entre eles, poucos pensamentos, um diz para fazer sem culpa, o outro pensa, reflete e pede para esperar. Enquanto o mundo se perde em erros, posso me manter sereno, sem medo porque tenho a chave da minha vida nas minhas mãos. Então, hoje, me sinto mais forte, pois atravessei o deserto da alma, amei quem não me amou e deixei de lado quem muito me amava. Atravessei caminhos nem sempre floridos, que deixaram marcas profundas em mim, mas amei e fui amado... Por isso tenho em minhas mãos, bem mais que a vida, tenho a dúvida e a certeza, a esperança e o medo, o desejo e a apatia, o trabalho e a preguiça. E me dou o direito de errar sem me cobrar, e acertar sem me gabar, porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é decidir. E decidi, de uma vez por todas, ser feliz e esse caminho não tem volta... 

Paulo Roberto Gaefke

terça-feira, 26 de julho de 2011

 

Nothing Else Matters

So close no matter how far
Couldn't be much more from the heart
Forever trusting who we are
And nothing else matters

Never opened myself this way
Life is ours, we live it our way

All these words I don't just say
And nothing else matters

Trust I seek and I find in you
Every day for us something new
Open mind for a different view
And nothing else matters

Never cared for what they do
Never cared for what they know
But I know

So close no matter how far
Couldn't be much more from the heart
Forever trusting who we are
And nothing else matters

Never cared for what they do
Never cared for what they know
But I know

I never opened myself this way
Life is ours, we live it our way
All these words I don't just say
And nothing else matters

Trust I seek and I find in you
Every day for us something new
Open mind for a different view
And nothing else matters

Never cared for what they say
Never cared for games they play
Never cared for what they do
Never cared for what they know
And I know, yeah

So close no matter how far
Couldn't be much more from the heart
Forever trusting who we are
And nothing else matters

terça-feira, 31 de maio de 2011

Acordei enjoada de pessoas. De rotina. De atitudes.
Sempre as mesmas coisas, tudo tão previsível e chato!
Vou reinventar o meu mundo. Mudar dentro de mim algumas reações. 
Quem sabe assim tudo ao meu redor amanhã seja diferente também.


Sempre e sempre essa metamorfose ambulante.

domingo, 29 de maio de 2011



As vezes os dias vão embora sem nos darmos conta do que pensamos e do que fizemos. Como se o tempo nos carregasse e não fossemos donos de nós mesmos.

100 segredos das pessoas felizes

sábado, 28 de maio de 2011

Ela andou sumida por uns tempos.
Pegou sua mochila, jogou nas costas e partiu sem rumo, para o desconhecido.
Renovar idéias, esse era seu propósito. 
Andou muito, conheceu muitas pessoas, riu e chorou muito também.
Também percebeu que a essência não sofre metamorfose, mas continua lá, sempre a mesma.
Percebeu que as pessoas mais importantes hoje o serão para sempre.
A única resposta que não conseguiu foi - A caminhada valeu a pena?

sábado, 26 de fevereiro de 2011

http://www.kidnoel.com


Primeiro prenúncio de trovoada de depois de amanhã.
As primeiras nuvens, brancas, pairam baixas no céu mortiço, da trovoada de depois de amanhã?
Tenho a certeza, mas a certeza é mentira.
Ter certeza é não estar vendo. Depois de amanhã não há.
O que há é isto - Um céu azul, um poço baço, umas nuvens brancas no horizonte, com um retoque de sujo embaixo como se viesse negro depois.
Isto é o que hoje é, e como hoje por enquanto é tudo, isto é tudo.
Quem sabe se eu estarei morto depois de amanhã?
Se eu estiver morto depois de amanhã, a trovoada de depois de amanhã será outra trovoada do que seria se eu não tivesse morrido.
Bem sei que a trovoada não cai da minha vista, mas se eu não estiver no mundo, o mundo será diferente  - 
Haverá eu a menos - E a trovoada cairá num mundo diferente e não será a mesma trovoada.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Ausência




Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces, porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida, e eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo está terminado. Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados, para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... Tu irás e encostarás a tua face em outra face. Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada, mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite, porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa, porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço, e eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. 
Eu ficarei só com os veleiros nos portos silenciosos.
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir, e todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas, serão tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.


A uma mulher


Quando a madrugada entrou eu estendi o meu peito nu sobre o teu peito. Estavas trêmula e teu rosto pálido e tuas mãos frias. E a angústia do regresso morava já nos teus olhos.
Tive piedade do teu destino que era morrer no meu destino. Quis afastar por um segundo de ti o fardo da carne. Quis beijar-te num vago carinho agradecido.
Mas quando meu lábios tocaram teus lábios eu compreendi que a morte já estava no teu corpo e que era preciso fugir para não perder o único instante em que foste realmente a ausência de sofrimento em que realmente foste a serenidade.


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Apenas mais uma memória mofada.

Falhei. Os astros seguem seu caminho.
Minha alma, outrora um universo meu, hoje não é nada.
Falhei. Quem eu era não sou mais.
De um pólo a outro pólo, tudo mudou dentro de mim.
Falhei. Consegui ser quem sou. Outrora. O que hoje já não consigo ser mais.
Cansei. De quê? Nem me adianta saber. Afinal, de que ajuda isso seria?
Chorei. Não só para mim mesma.
Sou fraca, desmorono, e sempre diante de uma platéia.
Amo muito. Sempre amarei.
Mas hoje só sinto o vazio dentro de mim.


Lenda do sonho que vivo, perdida por a salvar... Mas quem me arrancou o livro que eu quis escrever, sem acabar?


Dia 30 de outubro de 2009.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Os devidos créditos -

http://historiasnataverna.blogspot.com




Era noite no meu quarto de 17 anos. Eu não queria dormir.
No lençol sobre o qual estava sozinha via as luzes do escuro me chamando. Ninguém mais me via.
Gotas de chuva mordiam o edredom, e os vidros da janela brilhavam. Todos dormiam, bem longe, e em meu caminho só o branco da noite vinha chegando. Só eu estava de pé. Os homens dormiam pela cidade inteira.
A noite abria em mim sempre uma nova estrada. Tudo se movia, e eu ouvia os sons incertos, os brindes dos que afundavam para o nada.
Sentia o cheiro do frio. Minha alma estremecia, mas estava acostumada.
Um agudo silêncio gritava a tudo o que era triste. Com raiva, tocava com a minha própria mão um poço sem fundo, no desejo de dar movimento a toda aquela água parada.
O tempo passava. Fugia do sono.
No meu quarto fechado, a noite se retorcia como aquele quadro de relógios derretendo.
O frio me venceu e eu, viva noturna, extasiada, sentia a alma fugir como um tiro alvejando o infinito e indo parar, conseqüentemente, em ti.
Depois, tudo mudou. A alegria que meu ser sentiu por ser. A harmonia de tudo me fez crescer.
Tudo foi resultado de um perfeito e imprevisível encontro de almas.
No ponto mais alto da noite, brilhou mais do que o dia.
O som não parou, e em meus olhos, sobre as vidas que dormem, se declarou o insondado nascer da minha dependência por você.
No meu quarto, aos 17 anos, onde estavam meu olhos, que nunca mais se fecharam.


Escrito a dois anos atrás, encontrado entre folhas antigas, inspirado em algum poema que já li...